United Colors of Tapioca

Tapioca_aTenho uma amiga, (tu sabes quem és!), que só me dá bons conselhos (para tudo na vida). Como (agora) é uma pessoa saudável, está sempre em cima de receitas com coisas novas e “do bem” (é assim que se diz, parece).​​
Falou-me então esta amiga dessa maravilha que é a tapioca, que além de não ter gluten, é um óptimo substituto do pão, etc (ler mais aqui).
A mim, que como de tudo e mais alguma coisa (azeitonas é que não!), interessou-me mais a parte em que a minha amiga me apregoou com a facilidade que é para a cozinhar:
É só pôr a farinha na frigideira bem quente e fica logo pronto. Não juntas água nem gordura nem nada, porque a farinha já é meio húmida. Podes fazer com doce ou salgados…“…achei um espectáculo. Tão fácil! Vou fazer.
Primeira dificuldade, encontrar farinha de tapioca “da fininha” – disse-me ela – aqui nos EUA não fazia ideia onde haveria; depois de alguma pesquisa, lá encontrei (no QFC, para os interessados).
Mãos à obra!
Como me instruiu a minha amiga, pus a farinha na frigideira, espalhei com uma colher e…nada…esperei, dei um jeitinho com a espátula para ver como estava por baixo…a espátula derreteu (só para verem como estava tudo bem quente) e nada…
Achei que a minha amiga era maluca, que isto só assim nunca ia resultar, e juntei água para fazer uma espécie de massa de panqueca. Deitei de novo na frigideira e aconteceu isto:
tapioca_blhercaA minha primeira tapioca.
Uma gosma, uma baba de caracol, o nojo!

Depois deste mega fracasso, desisti de dar ouvidos à amiga e fui investigar na net… e pois…a farinha de tapioca, ou polvilho, tem que ser preparada antes de passar à acção de fazer um beiju (que é o nome oficial das “panquecas” de tapioca). É preciso passar por um processo de hidratação. Que se pode fazer de diferentes maneiras. Descobri também, que se pode tingir a farinha e fazer panquecas coloridas (a loucura!).

Ora então, como hidratar a farinha de tapioca?
Basicamente, coloca-se a farinha numa tigela e depois acrescenta-se água até a farinha estar completamente coberta. Não há medidas, é tudo a olho, certifiquem-se só que a água cobre toda a farinha.
Mexe-se com uma colher, para formar um líquido uniforme. Esta parte começa por ser um pouco difícil, mas depois de insistir um pouco fica perfeitinho.
Caso queiram tingir a farinha, basta adicionar um corante (de preferência natural) à água da hidratação.
tapioca_1Eu usei água de cozer beterraba para fazer a cor-de-rosa, sumo de cenoura (fiz com a varinha mágica) para o cor-de-laranja, curcuma para o amarelo e sumo de espinafre (umas folhas e umas colheres de água trituradas com a varinha mágica), para o verde.
Coloca-se no frigorífico e lá fica até o pó assentar todo no fundo da tigela (no meu caso deixei durante a noite).
Uma vez o pó assente no fundo, despeja-se a água que fica por cima, com cuidado para o pó não sair também (imagem da direita). Transfere-se o pó à colherada para um pano e seca-se melhor.
Depois, esmaga-se o preparado sólido com as pontas dos dedos e peneira-se (é preciso esfregar bem contra a rede).
tapioca_hResulta, finalmente, numa farinha húmida. A tal que se pode colocar directamente na frigideira, sem mais nada, para fazer o beiju.
A farinha húmida, tal como está pode então ser guardada num recipiente bem fechado e usada mais tarde. Diz que se aguenta no frigorífico até 5 dias, mas eu não consegui comprovar porque gastei tudo em 2 ou 3 dias. Na dúvida é dar-lhe uso quanto antes.
tapioca_e

Na verdade, o que a minha amiga tem em casa e que usa com muito sucesso, é esta farinha que ela comprou já preparada. Sim, vende-se já pronta a usar, se não quiserem ter este trabalho tooodo.
Mas, como aqui (nos USA) dificilmente vou encontrar, e como o que comprei foi a farinha “normal”, tive que a preparar eu. E confesso que adorei fazer e já repeti :)
Isto, porque as texturas que o preparado adquire ao longo do processo são muito diferentes e super interessantes de manusear (tenho um video no Instagram que mostra). A certa altura, tem um aspecto viscoso, mas quando se toca é duro, só que escorre pelo passador como líquido.
A ciência explica e este video é maravilhoso (tem a ver com a goma contida na tapioca e com a pressão que se exerce sobre o líquido), mas eu prefiro pensar que é magia.

E como fazer o beiju (a panqueca de tapioca)?
Para fazer a “panqueca”, a forma mais fácil, é começarem com a frigideira fria (sem gorduras, nem líquidos).
Eu ponho o suficiente para cobrir o fundo da frigideira e mais um bocado, para não ficar muito fininha.
Aqui, mostro-vos como fiz aquela às riscas:
tapioca_2Alisem a superfície e a borda com uma colher e liguem o lume só depois.
A tapioca cozinha rápido, por isso, tenham o recheio pronto a usar, logo ali ao lado e não se distraiam.
Quando agitarem um pouco a frigideira e virem que já não têm um pó solto, mas sim uma panqueca, quer dizer que está a ficar cozinhada.
Coloquem o recheio numa metade e virem a outra metade por cima. Deixem só mais uns segundos e está pronta a comer.
Se quiserem fazer mais que uma, ou esperam que a frigideira arrefeça, ou sejam muito rápidos quando forem fazer as seguintes.
Lembrem-se de deitar fora o pó que vai ficando no fundo da frigideira antes de porem novamente farinha porque senão não fica bem.
Depois, é só escolherem o recheio do vosso agrado. Como a tapioca em si, não tem sabor (ou se tem é muito discreto), resulta tanto com doces, como com salgados.
Eu experimentei:
tapioca_3Mirtilos com iogurte – favorita!
Banana com mel
Peito de frango com queijo

Digam lá que não dá vontade de uma pessoa só comer disto para o resto da vida?

(Tinhas razão Teresa :) )