Viver na Indonésia: 5 factos que talvez não saibam

Como vos contei, cheguei à Indonésia há relativamente pouco tempo e a adaptação ainda está a decorrer. Fiz um texto parecido com este sobre a Malásia e, apesar de serem países vizinhos e com muitos pontos comuns, Malásia e Indonésia têm muitas diferenças. Se focarmos a atenção para Jakarta, ainda mais. Assim como muita gente pensa que Indonésia é Bali, também muita gente tende a achar que Jakarta, representa o todo da Indonésia. E não podia ser menos verdade.

Pensem que a Indonésia é um país que atravessa 3 fusos horários, constituído por milhares de ilhas (13466, parece), mais de 300 grupos étnicos com mais de 700 dialectos, que se estende desde Sabang (alinhado com o Myanmar) até Marauke (para os lados da Papua Nova Guiné). Portanto, Jakarta, a capital, não é a amostra do resto do país (nem Bali, ’tá?!). Mas é sobre as particularidades de que me tenho apercebido a partir daqui que vos vou falar hoje. Vou descrever-vos 5 factos que talvez não saibam sobre a Indonésia e com os quais estou agora a aprender a viver.

 

A Indonésia e algumas das suas particularidades

O que mais me tem surpreendido aqui, por comparação com a minha experiência anterior em Kuala Lumpur, é o facto de ser tudo muito mais selvagem. Jakarta é na mesma uma grande cidade, desenvolvida, com muitas coisas modernas, oferta de tudo o que possam querer, mas muito mais básica em muitas coisas que fazem parte dos níveis de conforto a que me acostumei até agora. E quando falo em conforto, não estou a falar de luxos, não me interpretem mal. Falo das coisas mesmo básicas, como o acesso a água potável, a forma de nos deslocarmos ou até o simples acto de podermos respirar. E depois, tem outros pontos surpreendes, pela positiva. Ora vejam:

 

1. A água que corre nas torneiras: não é potável

Não havendo em Jakarta um sistema de esgotos que conduza a um tratamento de águas residuais, rapidamente se compreende que os solos estão contaminados e que a água que corre nas torneiras (venha da rede ou de furo), também não tem a qualidade que seria desejável. É água limpa, mas não potável. A solução, é ter em casa um dispensador de água (como aqueles que normalmente vemos nos escritórios) que é alimentado por garrafões de 20 litros de água potável que se utiliza para beber, cozinhar e às vezes, até para lavar os dentes. Funcionam como as garrafas de gás em que se pode comprar o garrafão com a água (um valor mais alto) e depois se vai pagando apenas pelos reenchimentos de água (um valor mais baixo). Estes garrafões encontram-se com muita facilidade em todos os supermercados e lojas de conveniência mas também há serviços de entregas e venda semanal de água engarrafada porta-a-porta.

 

2. O ar que se respira: é muito, MUITO poluído

Ok, Jakarta não é a cidade com a pior qualidade de ar do mundo mas, se pensarmos na quantidade de veículos motorizados que circulam todos os dias na cidade, mais as industrias que estão localizadas nesta zona e que produzem também elas gases tóxicos, não é difícil perceber o porquê de haver constantemente uma nuvem cinzenta no horizonte. Por isso, é importante que quem passa muito tempo no trânsito use máscara com filtros que retenham as partículas tóxicas. E, da mesma forma que, se possível, se instalem purificadores de ar nas divisões da casa em que passamos mais tempo, como os quartos e a sala. Sim, porque o ar poluído não está apenas lá fora. Também existem purificadores mais pequenos que se podem colocar no carro ou na secretária do trabalho e, fazem bastante diferença.

 

3. Ter um motorista: pode ser uma obrigação e não uma opção

Algumas empresas não permitem que os seus empregados (e familiares) aqui expatriados conduzam, por uma questão de segurança e, as cartas de condução de outros países, normalmente, não são válidas. É possível conseguir uma carta de condução local, mas envolve custos, burocracias e algumas frustrações. Portanto, é muito comum ter um motorista e há que aceitar que de repente a família ganha um novo membro que não nos permitirá tocar no volante por longos meses. Na mesma linha, é expectável que as famílias com mais poder de compra tenham à sua volta um staff de 4 a 5 pessoas (entre motoristas, jardineiros, amas, empregadas domésticas e seguranças). Aprender a viver com esta realidade, que parece muito confortável, requer esforço e adaptação, especialmente para quem aprecia a sua privacidade.

 

4. Preguiça total: tudo à distância de uma viagem mota

E tudo, é mesmo tudo. O Grab e o GoJek, são as duas plataformas mais comuns aqui e fazem desde transporte de pessoas, a entregas de bens e serviços. Precisam de chegar depressa a algum lado? Chamem um táxi-mota GoJek. Estão a cozinhar e dão conta que vos falta um ingrediente importante, peçam a um GoJek para ir buscar ao supermercado e entregar em vossa casa. Estão cansados e adoravam uma massagem, o GoMassage trata disso. Ficaram com o carro parado porque acabou o combustível? O GoPertamina resolve. Perceberam a ideia, certo? Estas motas tarefeiras, que se identificam facilmente pelos condutores de capacete verde e preto e que se vêem por toda a cidade, funcionam através de uma aplicação no telemóvel ou no computador. Estão disponíveis 24/7.

 

5. Sexta-feira: o dia mais especial na Indonésia

À sexta-feira, na hora de almoço, praticamente tudo pára para a Jummah, a reza mais importante da semana e, para a qual, os homens devem comparecer, em congregação, na Mesquita. O trânsito fica ainda mais caótico na cidade e apanhar um táxi neste período é uma tarefa quase impossível. É também este o dia de vestir roupa feita em batik, o tecido tradicional Indonésio, feito e estampado com uma técnica elevada a património da humanidade em 2009. Esta prática é promovida a nível nacional pelo governo mas também pelas escolas e empresas privadas. Homens e mulheres, vestem-se orgulhosamente com tecidos de todas as cores, especialmente neste dia da semana, estrangeiros incluídos. Sexta-feira é o dia de mostrar o orgulho nacional, cultural e religioso, tudo fica mais colorido, mais sonoro e mais caótico, à boa maneira Indonésia.

 

Destaquei estes 5 factos, por achar que são algo diferente e pouco óbvio para quem vem de uma realidade semelhante à minha e porque sei que, todos eles, vão passar a ser algo completamente normal para mim, daqui a muito pouco tempo. Por isso, agora que ainda estou inicialmente chocada, é que faz sentido fazer este relato. Mas, como vêem, para todos os pontos menos positivos que vos dei a conhecer, existe uma solução à qual tenho a sorte de poder recorrer. E, por outro lado, há coisas bem interessantes e outras que tornam a nossa vida aqui muito mais simples (GoJek!).

Para o bem e para o mal Jakarta e a Indonésia são fascinantes e tenho a certeza que vou aprender muito com esta experiência.

 


“Map by Free Vector Maps”

 

2 comentários em “Viver na Indonésia: 5 factos que talvez não saibam

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